quinta-feira, 19 de abril de 2012

Knysna Elephant Park


Knysna é uma cidadezinha que situa-se na famosa Grden Route, uma rota na bela costa sul da África do Sul, cercada de belas florestas de um lado e o oceano do outro.
Nas redondezas das florestas de Knysna (pronuncia-se “Náisna”) elefantes Loxodonta africana vagavam livres, mas em um período de 118 anos, essas populações de elefantes caíram de 500-600 elefantes para um único em 1994. Uma recente e feliz descoberta mostrou que contra todas as chances, esses elefantes estão lutando contra sua própria extinção e hoje existem por volta de 6 espécimes  na floresta.
O Knysna Elephant Park (KEP) localiza-se a 22km de Knysna e começou com Ian  Withers, amante da natureza e apaixonado por elefantes,  que viu no turismo uma oportunidade de criar um ambiente seguro para eles.
Em 1994 vieram os primeiros ellies, Harry e Sally, foi quando tudo começou.
O parque possui uma área de 100 hectares de vegetação natural e 9 elefantes, em idades entre 4 e 24 anos.
No momento somos 4 voluntários, trabalhando de 06:30am às 20hrs, pois afinal elefantes comem muito, até 150kgs por dia dependendo do seu tamanho.
O dia começa com limpeza da boma, área onde os ellies passam a noite, limpeza da área dos dois machos maiores (Clyde e Shaka) que por serem machos e em uma idade já adulta não ficam com a manada. 
As manadas de elefantes são matriarcais, tendo sempre uma líder fêmea, e os machos só são aceitos quando ainda jovens, a partir de 7-8 anos de idade eles começam a ser expulsos de suas famílias, enquanto as fÊmeas crescem e permanecem juntas.
Outra parte do trabalho é  separar troncos para eles comerem e galhos,  em seguida vamos para o campo onde estão as femêas e os jovens e ali recolhemos informações sobre eles, como a distância entre cada um, o que eles estão fazendo etc.
O parque é bonito, organizado e aberto ao público para visitação, tem uma área para casamentos, e  a casa dos voluntários tÊm até parede de verdade! Ou seja tudo para serem duas boas semanas.
 Para mais informações sobre o parque clique AQUI :)





segunda-feira, 9 de abril de 2012

Mais uma despedida


Como despedir de animais que fizeram meus dias tão mais felizes? Só se for com muitas lágrimas.
 Mais uma despedida, mais uma experiência e mais uma saudade que eu vou levar. É dificil explicar o quão gratificante é trabalhar com esses animais. Dessa vez  foram apenas 2 espécies diferentes: leões e leopardos, mas que fizeram toda a diferença.
Nas últimas duas semanas eu passei o máximo de tempo possível com eles pois sabia que a hora de ir embora chegaria rápido (e chegou) e todo dia eles me recebiam literalmente com um abraço, pesado, às vezes doloroso, mas  a melhor sensação do mundo.  Com meus novos amigos (humanos!!!) ficaram as promessas de não perdermos contato e tentarmos nos encontrar daqui um ano ou dois, sobrando apenas o vazio e o silêncio após a partida.
Já se passaram  10 semanas, 3 projetos, 2 países, inúmeras pessoas e animais e várias situações difíceis fisica e emocionalmente, mas a única que continua quase insuportável e a que eu não consigo me adaptar são essas constantes e dolorosas despedidas.
 Foi mais uma ótima e feliz experiência, onde eu precisei  deixar de lado o que me desagradava para conseguir trabalhar todos os dias vendo situações que eu discordo acontecerem repetidamente, mas que eu faria tudo de novo só para estar com esses animais mais uma vez. 
No Lion Park acredito que os voluntários não sejam tão essenciais para a sobrevivência do lugar, no sentido que eles têm mão de obra, empregados suficientes e eles têm dinheiro mais do que suficiente para sobreviverem, não precisando do nosso suor e dinheiro também, o contrário dos outros lugares que trabalhei; mas me arrisco em dizer que somos sim essenciais para esses leões pois apesar do contato diário com milhares de pessoas querendo tirar fotos e etc, pelo que reparei somente nós voluntários abrimos mão de um banho quente e uma hora  a mais de descanso para ficar com esses animais, faça chuva ou faça sol.
No final, a única certeza que eu levo daqui é que desses leões nunca me esquecerei.













quarta-feira, 4 de abril de 2012





 É incrivel imaginar que existem pessoas que ainda acreditam que os animais não sentem e não pensam. Outro dia fui a um parque que abriga três elefantes, uma mãe, Tree, sua filha Hanna e sua filha adotiva Marty, resgatada no Kruger após ser encontrada presa em uma poça de lama sozinha. Ao chegarmos lá elas estavam descendo um pequeno barranco para beber água em um córrego. Primeiro desceu a Hanna e em seguida veio a Marty que escorregou e caiu, um tombo feio. Imediatamente a Hanna que já estava no córrego correu para sua irmã, a ajudou a levantar e conferiu com a tromba se a irmã estava bem, ficando ao seu lado até elas chegarem ao córrego.  Muito mais do que muita gente faria.
Eu, junto com as outras 5 voluntárias tomamos conta dos 13 filhotes de leões aqui no Lion Park  e toda vez que temos um tempo livre do trabalho tentamos passar o máximo de tempo com eles. Após a primeira semana já notei que eles me reconhecem e ficam feliz em me ver, esfregando-se na cerca pedindo carinho. E é claro que eu não penso duas vezes antes de entrar. No começo hesitava em entrar sozinha, são filhotes mas suas brincadeiras podem ser bem violentas  e 13 leões podem fazer muito estrago, porém hoje eu já sei como lidar com eles e impor respeito,  passando horas brincando e cuidando deles, mas estando sempre atenta pois afinal são leões.
 Os leões são animais muito carinhosos entre si, estão sempre tocando uns aos outros  e suas famílias  são muito unidas, e não são diferentes com nós humanos, uma vez que eles nos conhecem e passam a nos ver como amigos deixam bem claro o amor.
Está quase na hora de ir embora e apesar de tantas coisas que eu discordo com o Lion Park eu honestamente não sei como que vou deixar esses animais magníficos para trás.





 










quinta-feira, 29 de março de 2012

Lion Park

O interessante do formato dessa viagem é que cada projeto é diferente um  do outro. Começando o meu terceiro percebo que esse é mais um que tem seu próprio jeito e conceito, oposto de todos os outros. No website e ao chegar aqui somos informados que o Lion Park não é nem uma reserva e nem um zoológico. Uma reserva com certeza não é, mas sinceramente na minha opinião é quase um zoológico com algumas pequenas diferenças.
O Lion Park começou com um circo em  novembro de 1966, e é dividido em 3 partes. Uma parte de vegetação de savanna não muito grande que abriga os herbívoros como zebras, guinus negros, oryx, impalas  e duas girafas, a parte dos carnívoros que abriga 3 prides de leões, entre eles os famosos leões brancos, 2 guepardos, e por volta de cinco wild dogs, e  a terceira área  e centro das atenções  o chamado “cub world”.
Na área dos herbívoros e carnívoros os visitantes podem dirigir por ela por um preço extra. No Cub world, área muito parecida com um zoológico,  os filhotes de leões, hyenas, e chacais ficam em jaulas para o público ver e no caso dos leõezinhos as pessoas  podem entrar,  tirar fotos e acariciá-los.
Como uma visitante do parque eu acharia um máximo poder tirar essas fotos porém como uma voluntária é bastante frustrante ver o estresse que esses filhotes passam, principalmente em fins de semana e feriados quando o parque/zoo fica literalmente lotado e a fila de pessoas para entrar em seus cercados é tão grande que chega a ser incontável.  Esses filhotes têm cerca de 3 meses, e com 6 meses são alocado para um cercado também no cub world onde ficam até 2 anos e depois são movidos para a área dos carnívoros onde encontram-se os leões adultos ou são vendidos para outros parques ou zoológicos.
Vinda de outros projetos que são 100% voltados para conservação, reintrodução e rehabilitação de animais selvagens e seus habitats,  é bastante frustrante trabalhar em um projeto que é  voltado para o lucro sobre esses animais. Sim, os zoológicos tÊm um papel educacional muito importante para a sociedade, mas o Lion Park não me parece ter esse foco. Apesar dessa enorme diferença com os outros projetos, é claro que também existe seu lado positivo: além do contato com os leões do cub world, hoje também temos outros 5 filhotes de apenas 7 semanas de vida, e dois filhotes de leopardo negro, raríssimos e lindíssimos!! Esses ainda não podem ser vistos pelo público por serem muito novos, mas nós podemos passar o tempo que quisermos com eles se não estivermos trabalhando,  sendo o ponto alto do dia a dia dos voluntários, que geralmente envolve tarefas bastante tediosas como ficar horas na entrada recolhendo o ticket dos visitantes, em seguida ir para o portão da entrada da área dos herbívoros para também recolher  tickets dos carros para depois  vender comida de girafa para quem quiser alimentá-las.
E quando eu digo ponto alto do dia é alto mesmo, o contato com esses animais é fantástico, com suas brincadeiras um tanto dolorosas  mesmo com apenas 7 semanas de vida, eles conseguem conquistar qualquer um com um simples olhar, pelo menos foi assim que me conquistaram, “num piscar de olhos”.
A nova casa





Despedida memorável!

Viajar para África já é uma coisa inusitada, então já que estou aqui acho válido explorá-la ao máximo possivel. Uma dessas tentativas (bem sucedidas diga-se de passagem)  foi a excursão ao Kruger National Park, reserva de 2 milhões de hectares que abriga inúmeros animais, sem receber um centavo de ajuda do governo, dependendo dos visitantes para sobreviver.
O KNP foi fundado por Paul Kruger, que inicialmente estabeleceu o Sabie Game Reserve em 1898, por estar preocupado com a rápida perda de vida selvagem causado pela caça ilegal; e após algumas merções entre outras reservas, em 1927 o Kruger National Park abriu suas portas ao público.
O dia em que fomos foi um dia quente e começou devagar. Saímos antes das 06am e inicialmente só vimos Impalas. Os Impalas são conehcidos como o “McDonalds da savanna” pois são uma presa fácil para todos os predadores:  tamanho ideal, frágeis, fáceis de caçar e existe uma enorme quantidade deles por todo lado.
Ir a procura de animais selvagens é sempre uma aventura que depende muito da sorte, pode acabar sendo frustrada,  após horas ainda não avistar nada, ou pode surpreender.  No meu caso surpreendeu!
Um dos animais mais dificeis de se ver ao natural é o leopardo. Eles são muito bem camuflados, vivem em árvores, são extremamente silenciosos e eu acredito que se um leopardo não quiser ser visto nem o papa o verá. Em 2 semanas nesse projeto eu vi dois, coisa que despertou olhares de choro em algumas pessoas que estavam lá a 8 semanas e não conseguiram ver nenhum. Um deles foi no KNP.
O dia de excursão é cansativo, várias horas no carro com olhos atentos para avistar algo, e eu descobri que sou péssima nesse serviço, avistei e anunciei muito empolgada  a todos que vi um leão que na verdade era um tronco de árvore, dos 47 pássaros que as pessoas tentaram me mostrar eu honestamente devo ter visto uns 4 e ainda gritei na maior altura: “ELEFANTE À ESQUERDA” e quando todos olharam empolgados era um búfalo, que seria empolgante também se já não tivéssemos visto pelo menos 149 deles. Mas tirando o meu fracasso como guia ecológico (posso riscar isso do meu potencial futuro profissional) conseguimos ver vários animais, hipopótamos, crocodilos, elefantes, um deles tão próximo do carro que tentou literalmente nos atacar! Foi incrível, por sorte a Adele que no levou e estava dirigindo, teve o reflexo e arrancou com o carro; mais 2 segundos ele teria nos acertado. E é claro que nós ficamos desejando que ele fizesse de novo porque foi muito legal, mas foi só um ataque de aviso do tipo “sai senão o próximo vai ser de verdade”!
Vimos também um bebê girafa mamando em sua mãe, uma cena linda de um dos meus animais favoritos! Mas mal sabia eu o que nos aguardava..
Os portões do KNP fecham pontualmente às 18hrs e às 17:40 estávamos seguindo para o portão, felizes mas desapontados por não ter visto leopardos ou leões até que de repente uma centena de impalas começou a cruzar nosso caminho muito rápido e assustados. Foi uma bonita cena, e todos achamos que fossem só os impalas sendo impalas, correndo,  e agora está começando a época de reprodução deles então é comum esses alvoroços causados por machos brigando, mas heis que surge um leopardo caçando um impala na nossa frente, literalmente a menos de 5 metros do carro! Bom, não preciso dizer que foi inesquecível! Infelimente não pudemos ficar para vê-lo carregar a presa para cima da árvore porque já eram 17:55hrs e tivemos que correr para os portões.
Uma excursão incrivel, para fechar com chave de ouro o último dia nesse projeto!
Como sempre a parte dificil é dizer adeus, o projeto fica em uma área linda, cercado de vida selvagem, e eu aprendi muito sobre reservas ecológicas, o trabalho que é para manter uma, sobre a realidade muitas vezes frustrante de quem se indigna com as leis que dão brechas para os poachers (caçadores ilegais),e  as dificuldades enfrentadas por quem luta por esses animais e  levantam a voz pondo  em risco a própria vida para tentar salvar quem não tem como se defender. Foram duras lições que mais uma vez me mostraram o quanto o ser humano pode ser cruel e o tanto de gente do bem que existe por aí.
E apesar de não ter visto leões isso não me deixou abalada, afinal próxima parada: Lion Park.






quinta-feira, 15 de março de 2012

Campfire Safari

O dia a dia do voluntário aqui em Campfire Safari se divide basicamente em três partes:  a manhã é voltada para o trabalho braçal, farm work, que envolve seleta de lixo reciclável, separar o lixo orgânico, cortar galhos das árvores que estejam no caminho etc, em seguida uma aula sobre o assunto do dia, como répteis, pássaros, ou sobre o “Perigoso grupo dos 9” que ensina como lidar na presença dos 9 animais mais perigosos daqui, como reagir em caso de um ataque etc., e por volta das 16hrs quando  teoricamente já não está tão quente saímos para uma caminhada ou passeio de carro.
O forte que esse projeto tem a oferecer além desses passeios diários de carro e caminhadas pela bush savana com os olhos atentos para todo tipo de movimento ao redor, desde insetos aos pássaros e grandes mamíferos, são também as excursões, todas perante pagamento claro.
São várias opções como passeios pelo Kruger National Park, safári a cavalo ou pelo rio de barco,  entre outros, geralmente com a duração de um, dois ou três dias,  todos com o intuito de proporcionar formas alternativas de admirar e chegar mais próximo à toda a natureza que esses 3,5 milhões de hectares de vida selvagem tem a oferecer.
Apesar de já ter visto alguns animais como elefantes, girafas e até um leopardo selvagem, todos impressionantes e belíssimos em seu habitat, o que mais me encanta aqui continua sendo as diversas facetas do céu africano, desde o amanhecer até o céu estrelado da madrugada em sua magnitude que chega a ser hipnotizante.

  
Minha cabana











 

 

 


Campfire River Safari